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Caos instalado

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A campanha eleitoral de 2020 "represou" dados da pandemia ("coincidentemente").Como já era esperado, uma vez que a maioria dos prefeitos já estavam eleitos, novos dados que estava represados por "problemas técnicos" apareceram e mostraram a piora óbvia da pandemia em todos os estados, principalmente no sul do país (particularmente Santa Catarina estava em estado crítico). A situação era pior do que na época de mais frio, o inverno propriamente dito, mas isso não incomodava  muito os gestores e muito menos a população. A ideia era que entrávamos no chamado "risco natural", onde tomava-se ou não algum cuidado (lavar as mãos deveria ser uma constante) e "vamos ver o bicho que vai dar." Só que a tendência ainda era de piorar mais ainda e a cada dia que passava eu ia acreditando que realmente fizera um bom negócio ao sair da região contestada de Santa Catarina, para migrar para áreas de melhor suporte médico (mesmo que superlotadas, sempre a...

Louça é vida

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Já estávamos no "exílio" há quase duas semanas e a situação da pandemia no estado piorava a cada dia (eu só não acerto na mega sena 😆). Independente disso, haviam aquelas coisas que tem (o verbo está correto, é a ideia) que ser feitas em qualquer situação e uma delas eram os cuidados com a casa (melhor dizendo, habitação onde estávamos). Vou poupar a descrição de onde fomos parar, mas era o mais prático e viável financeiramente que conseguimos.  Instalamos internet que veio com um "agrado" de canais de tv e de filmes o que poupou outros gastos, incluindo a compra de um televisor. Minha esposa conseguiu trabalho e eu aproveitava o tempo lendo, ouvindo a JBFM vendo tv pelo computador,   arrumando casa, fazendo pequenos consertos (trocar sifão de pia virou especialidade) e lavando a tal da louça que é uma função interminável.  Aproveitei as condições adversas e algum dinheiro que sobrara e comprei produtos da YVY e realmente fiz uma boa opção. É aquilo: se temos lim...

Vale da Utopia

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  "Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay" Será mesmo? Bom, eu estive na Galícia e o dito acima é bem interessante e de lá (ao que parece) é que ele veio. De qualquer forma, elas resolveram pregar algumas "peças" e a que sobrou pra mim (já que a viagem foi ótima) foi o conserto do sistema de freios traseiro, lesionado em fevereiro de 2020, quando o carro foi dirigido com o freio de mão "puxado". É uma coisa que acontece...  no geral costuma pegar fogo na hora e não dura tanto tempo até dar sinal de que algo não vai muito bem, mas, tirando a grave lesão do bolso, não criou grande contratempos até porque o uso do carro não era muito necessário (em Palhoça a maior parte das coisas do dia a dia eram feitas a pé mesmo).  Uma semana  na cidade grande e encontramos outra realidade: as pessoas circulavam normalmente, havia sistema de transporte público (mas a melhor opção era o UBER, quando a distância era maior) e o acesso à praia era liberado (existiam ...

Plano B

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Com a impossibilidade de passar o período de licença em Rio das Flores, eu e minha esposa partimos para outras alternativas, sendo agraciados por um casal de amigos que nos recolheu e acolheu. Inicialmente ela viajou e ficou com eles durante praticamente um mês. O oferecimento era extensivo, mas preferi ficar pra trás até que ela conseguisse um apartamento, o que aconteceu no final de outubro do ano passado. De qualquer forma, caso houvesse necessidade de buscar socorro, seria mais fácil encontrar um recurso de forma isolada do que em conjunto. Bom... pode parecer estranho, mas fomos para a capital do estado onde o número de casos e a chance de contágio era a maior segundo a matriz de risco. A diferença é que a atenção dada à região também era muito maior do que a que recebe o Planalto Norte (o litoral e a capital sempre recebem melhores recursos) e aí a perspectiva de conseguir soluções para uma emergência seria muito maior.  O mapa abaixo mostra a situação em 04/11/2020. As cores...

Plano A: a tal hora de "dar no pé"!

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A reação das pessoas em relação à pandemia foi muito variável e todas foram e são justificáveis. Particular e inicialmente, eu tomei a conduta de trabalhar com todo o cuidado, tirar a roupa e lavar sapatos e objetos antes de entrar em casa (tomando banho a seguir), evitar contato com pessoas de grupo de risco a menos que eu estivesse fora da escala de trabalho por quatorze dias ao menos; não ter contato com crianças fora do meu atendimento habitual, e suspendi qualquer atividade outra que não fosse indispensável (invariavelmente situações de lazer). Isolado eu não fiquei, mas não havia o que fazer fora de casa além de mercado e coisas assim. Ah! Passei a cortar meu próprio cabelo com uma máquina que resgatei de um programa de pontos.  No início foi meio complicado, mas depois peguei o jeito e faço isso com tranquilidade até hoje. Com a vacinação e o evoluir da pandemia, as medidas iniciais foram adaptadas à realidade e hoje é tudo muito mais simples. O aniversário do papai foi onte...

Superlotação

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Os meses passaram e o inverno chegou. Aí não deu outra: o hospital de referência local passou a receber pacientes de todas as regiões do universo e vivia lotado. O quanto de pacientes eles conseguiram salvar foi um dado não informado, mas a grande maioria eram de outras regiões. Considerei, então, que era o momento de tirar a licença prêmio e que o início seria em outubro, quando os leitos "sumiriam" de vez por conta de superlotação. Acertei na previsão, mas aconteceu uma situação totalmente fora do esperado: os leito "sumiram", mas foi por falta de pacientes e foram descredenciados pelo Ministério da Saúde. Por incrível que pareça, a ilusão de que a pandemia estava controlada associada à  má gestão pública levou o Ministério a acreditar que não precisava mais dos recursos alocados e dispensou tudo. Considerando essa informação, a ilusão também atingiu as pessoas (já exaustas do afastamento social e do trabalho) e essas passaram a participar de um maior número de at...

Reportagem

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E agora o João Coragem se foi para encontrar o Shazam...👏👏👏👏 Continuando com as histórias... A volta, como já disse, foi meio confusa. Depois de um curto período de adaptação, tentando entender a situação e já começando a fazer previsões (até agora não errei nenhuma), mandei um e-mail para o editor de um jornal local, em maio/2020: "[...] Hoje venho aqui para falar como cidadão e observador da evolução da pandemia em Santa Catarina, principalmente em relação aos dados e o Planalto Norte. [...] Pude observar a evolução e as primeiras medidas tomadas pelo governo de Santa Catarina, sendo atingido em cheio com a suspensão do transporte pelos ônibus interestaduais, pois minha volta do RJ foi bem complicada, mas isso não é o tema da conversa. Inicialmente considerei que Santa Catarina estava "atropelando" as necessidades com medidas rígidas muito tempo antes dos demais estados. "Puxou fila", como dizem, praticamente obrigando São Paulo e Rio de Janeiro a adotar...