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Mas como seria o final?

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Eu ia terminar na semana passada mesmo, mas resolvi escrever o que rascunhei na época com alguma edição. Para facilitar, na parte "conto adolescente" vocês lembram que Lina jogava vôlei muito bem e ela foi escalada para um jogo importante, substituindo uma outra atleta que estava contundida. Para lembrar e confundir mais ainda, Bela é que escreveu "Gama". Foi mais ou menos assim:   - Mas mãe, como assim não conseguiu terminar a história? E o jogo? - Bom, o jogo aconteceu... Claro, Lina dá um show de bola e ganha o jogo no último lance. Na comemoração, Bela sente-se mal e vai parar no hospital. Sem saber o que acontece, ela vê luzes, vê formas estranhas e, de repente, pessoas à sua volta. “Venha conosco, Bela!” – dizem as pessoas. Ela os observa... os reconhece! Seus personagens, Priti e Sid com um menino no colo.   - Uau!   - Aí ela ouve a voz de Lina: “Bela, acorda minha amiga!” E responde: “Ahn? Onde? O que aconteceu?”   - Aí Lina explica tudo!   - Isso! ...

Final da História ?

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Na manhã seguinte Priti levantou-se como se nada tivesse acontecido. Era sábado e não haveria aula e nem festas. Apesar da recomendação da Alcionne, Priti foi lidar com o cavalo e resolveu ensinar Carolina a montar. Como ela não tinha medo, foi bem simples dar alguns passeios no quintal. O cavalo tornara-se muito manso e cuidadoso, coisa que até hoje ninguém entendeu. - Oi mãe! Carol já consegue andar sozinha. - Veja mãe! Ele faz o que eu mando. Priti me ensinou! - Você só não falou como conseguiu controlar o cavalo. - Hum! Lá vem você! - Pelo visto o tempo que você passou fora fez você perder a confiança em mim! - Claro que não mãe. É difícil contar tudo. A experiência foi muito intensa. - Mas como você conseguiu? - Com isso. – nisso ela mostra o cristal pendurado no seu cordão de ouro – é igual ao seu. Veio da mesma pedra. Em GAMA todos usam um cristal semelhante. Ele produz uma energia que só agora estamos conseguindo entender. Pode-se fazer coisas incríveis com ele. Sid acha que el...

A Bióloga

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O fim de semana chegou e dei folga pra Alcionne. O que não adiantou nada, pois sempre havia café da manhã pronto e um almoço no fogão para esquentarmos depois. A única diferença é que ela fazia tudo escondido para que eu não ralhasse com ela. À noite passeamos na cidade para ver um pouco da festa que se estendia por quase quinze dias. Por mim eu nem iria, mas Carolina insistiu até porque queria mostrar a irmã aos coleguinhas principalmente para Amanda, sua melhor amiga, que era filha de uma artista plástica de nome Júlia. Priti chamava bastante atenção das pessoas, pela sua beleza ímpar e Carolina desfilava de mãos dadas com ela bastante orgulhosa. Fez questão que a irmã a arrumasse e saiu de casa toda fagueira. Durante a semana eu ia a escola com Carol de manhã e Priti, que conseguira um emprego na área de informática do Museu da Ciência, ia para lá todos os dias logo cedo e a cavalo. As semanas se passaram e achei que minha vida ficara, enfim, com algum significado maior do que a sol...

Vida em Gama

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Priti resolveu ir passear na cidade à tarde. Ofereci o jipe mas ela preferiu o cavalo pois não aprendera a dirigir. Chegou de volta e o sol já se punha no horizonte. - A cidade é uma gracinha, mãe. Lembra Ribeirão Florido. Tem um museu de ciências com computadores. Muito interessante. - Esse museu tem mais de 20 anos, segundo contam. - E o que você está fazendo? - Chocolate quente. Carolina adora. Já dispensei a Alcionne. - Ah! Que saudade do chocolate. - Não tinha chocolate lá em... onde você estava? - Um lugar que se chamava GAMA. - GAMA? E onde é isso? - Não sei bem a localização. - Como não sabe? Você veio de lá! - eu tinha um misto de curiosidade e revolta em relação ao ocorrido. - Bom, eu ia te contar depois... - Conte agora. Pra que deixar pra depois? – disse enquanto servia uma xícara de chocolate quente para ela. - Quando eu acordei estava muito frio e vi que nevava. Eu estava só de roupão e camisola e fiquei desesperada pois não via mais ninguém em volta? - E Sid? - Ninguém. ...

A História da Fuga

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Priti, então, começou a falar. - Naquela noite quando voltamos pra casa, fui logo me deitar e Sid falou que ia dar uma olhada no CD que sua mãe deixara. Sempre nas ocasiões especiais um arquivo se abria e ele quis logo dar uma olhada. A Fê já dormia e eu entrei em silêncio. Mais ou menos uma hora depois eu ouvi um barulho e fui ver do que se tratava. E Sid estava lá, olhando para o céu, como se esperasse alguma coisa acontecer. - Aí você vai me contar que um disco voador apareceu e levou vocês dois pra Marte... - De onde você tirou essa idéia de que fui pra Marte? - Guido me mostrou vocês naquele portal que a gente acessava pelo armário do chalé. - Ah! Aquilo? E você acreditou? Ah! Mãe, aquilo nunca existiu. Era uma brincadeira do Guido. Realmente era um parque de diversões. Imagens holográficas quase perfeitas. - Sempre achei que ele era maluco. Mas porque ele quis me convencer de que vocês estavam em Marte? - Sei lá! Talvez ele não tivesse outra explicação e quisesse te ...

O Nascimento

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- Dona Bela, o almoço está pronto. Seu João o senhor quer almoçar? – Alcionne sempre cumpria os horários a risca e ficava zangada se a gente não obedecesse. - Obrigado, Alcionne, mas "dona patroa" me espera em casa. Combinei com seu João de fechar o negócio na segunda-feira e segui em direção à mesa de almoço. Priti já entrara na casa para se lavar antes do almoço e Carolina não desgrudava dela. Nos encontramos no cantinho da varanda onde Alcionne montou o esquema de almoço. - A menina come de tudo? –perguntou Alcionne. - Só não como carne. - respondeu - Então vai gostar. Fiz cozido. A carne você pode deixar. - Tem batata frita? – perguntou Carolina. - Não. Mas se você quiser eu frito. - Pode deixar Alcionne. Carol come de tudo, você sabe. Nos servimos de refresco de caju colhido no pomar no verão e que Alcionne conservara em potes para usarmos durante todo o ano. Ao final foi servida a sobremesa, doce de leite, e Carolina ficou toda lambuzada e ria disso quando notamos a con...

Os Cavalos

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Alcionne preparara o quarto como o de uma princesa. Todos eram iguais. As camas de madeira escura com a cabeceira alta e nos pés havia um enfeite de cada lado que, quando retirado, deixava a mostra um orifício cilíndrico destinado a hastes de madeira para a colocação de um cortinado, de filó branco, muito útil por causa dos insetos que sempre nos visitavam a noite. Além disso, somente uma cômoda com três gavetões e uma mesinha de cabeceira além de um suporte para chapéus e casacos que eu usava para pendurar os vestidos. Pedi para que os armários fossem retirados. E Priti dormiu profundamente coberta por uma colcha de babados feitos à mão com a cabeça deitada em um enorme travesseiro de penas encapado por uma fronha que combinava com o conjunto. Fiquei um bom tempo com Carol no balanço que havia nos fundos da casa. Tão distraída estava que nem perguntou sobre a moça. Ela não sabia que tinha irmãos. Sobre o pai eu falei que ele morava longe e que não podia vir nos ver por causa da distân...

Discussões

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Caminhamos lentamente em direção à copa. Minha cabeça estava cheia de perguntas, mas foi ela que começou: - Mãe, você veio parar muito longe. Foi difícil te encontrar! - Foi essa a minha ideia: ninguém me encontrar mesmo. - E papai? E meu irmão? - Ficaram na Índia. Eu preferi o exílio nesse fim de mundo. - Fim de mundo dona Bela? Que isso! Aqui é muito depois... – Alcionne se esbaldava de tanto rir com minha observação - Ah! Alcionne, não enche, né?    E ela saiu rindo cozinha a dentro e foi ter com Carolina no quintal.    - Alcionne? Quem é a moça? - Ainda não sei. Mas fique aqui comigo até sua mãe chamar. Ou então fique brincando aí atrás.   Ela aceitou a segunda opção.    - Sua ajudante é muito simpática, mãe! - Eu sei Priti. Ela vive implicando comigo. - Implicando como? - Ah! Que eu devia sair mais de casa, arrumar um namorado e coisas assim... - Mas ela sabe que você é casada? - Não sou mais casada! - Nossa, mãe, que raiva!    Realment...

Visita Inesperada

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- Mãe, acorda! A gente tem visita! - É seu João, Carolina! Peça pra Alcionne servir um café pra ele enquanto eu me visto. - Não é seu João não! É uma moça muito bonita. - E você já tomou café e escovou seus dentes? - Eu já. Mas levanta mãe. Vem ver a moça. - Tá bom, tá bom! E onde ela está? - Ué? Lá no jardim... Ela me contou a história das cores do arco-íris.. - Quer dizer que você já foi lá perturbar a moça? E qual o nome dela? - Ih! Esqueci. É um nome diferente. Mas eu não perturbo não, tá?    Mal tinha amanhecido, pois o galo ainda cantava. Carolina sempre acordava cedo mesmo que dormisse tarde. Uma menina doce, calma, carinhosa e muito esperta, de pele clara e cabelos pretos. Os olhos eram castanhos claro que, às vezes, assumiam um tom esverdeado, mas somente quando ela estava triste. Aprendia fácil tudo que lhe era ensinado e ia bem no colégio    - Bom, se não tem jeito, vamos levantar! E meu beijo de bom dia?    Ela me beijou e saiu pela porta gritando pela Alcionne.    - M...

Festa de Igreja

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- Dona Bela! Já tá na hora. - Hein! Ah! Obrigada Alcionne.    Levantei-me e já estava escuro. Troquei de roupa e realmente achei que ficara bonita. Alcionne escolhera um vestido de malha preto que eu gostava muito e uma bota clara cor de pele com um salto fino. Um casaco jeans básico completava o visual e ficava adequado para o interior algo “country”. A bota ia complicar um pouco na hora de dirigir mas resolvi pagar o preço da auto-estima. Havia um grande espelho no quarto, onde fiquei um tempo me admirando enquanto penteava o cabelo. Alcionne me animara. Quando fui saindo, ela disse:    - A senhora é linda, dona Bela! Mas falta o cordão. - Que cordão? - O que tem a pedra que brilha!    Lá vinha ela com essa estória.    - Pronto. Deixe que eu coloco na senhora. - Mas eu não vejo brilho nenhum... - Ele é teimoso e só brilha quando quer! – e saiu rindo em direção à cozinha. - Mãe! Você tá bonita! - Sua mãe é bonita, Carol. - Posso ir com vo...

Seu João

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Já bem desanimada – afinal eu não estava nem um pouco disposta a receber visitas, pois Carolina tivera um sono muito agitado quase não me deixando dormir – deixei minha bolsa na varanda, pedi para que Alcionne desse um banho nela  e fui ver do que se tratava.   - Olá seu João! - Olá dona Bela. Vim ver as instalações, mas parece que tudo está em ordem. Neste lugar que a senhora tem aqui dá pra criar o que a senhora quiser. - Mas não quero muita coisa. Preciso de um animal manso pra charrete e é só. Eu não gosto muito de dirigir o jipe e só uso quando vou à escola ou à cidade. A charrete vai facilitar o trabalho de entrega da Alcionne. - Ah! Os doces de coco da Alcionne são o máximo. Pena que ela só os faça aos domingos. Mas a senhora poderia comprar também um animal para cavalgar. Os campos são muito bonitos e assim fica mais fácil ir aonde a charrete não vai. E animal de charrete é ruim de montar. - Hum... Mas vamos começar pela charrete. - Como a senhora quiser....

Alcionne e a casa

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Bom... nova história, novos personagens. Alcionne ainda aparecerá nos blogs e a casa descrita teve inspiraçãoeu num sítio, em Rio das Flores, que pertencia a uma prima da mamãe ("Tia Déia"), mas a foto que usei é de outro local. Aproveito para deixar meus votos de Feliz Natal a todos. Vamos, então, continuar a história...   Alcionne era minha ajudante. Esqueci de falar dela! Quando me instalei nesta cidade, eu morava num pequeno quarto de uma pousada; não tinha carro e andava de charrete de aluguel (coisas de interior.) A cidade, ou quase isso, era uma mistura de estrada com casas pequenas, uma ou outra rua e um centro em torno de uma pracinha onde havia o comércio que era restrito a um banco, uma agência dos correios, uma padaria e uma ou outra loja. Ao menos sem fumaça e sem a visão do concreto armado das cidades grandes. Sempre fazia o mesmo trajeto e, numa casa mínima, em uma pequena travessa, eu observava rapidamente, uma senhora – Alcionne - de quem ninguém s...

O que aconteceu depois?

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Lá nos muito "antigamentes", quando a gente voltava das férias as professoras sempre pediam uma redação sobre o que fizemos. No caso, o trabalho de férias foi a personagem que resolveu fazer.  Neil Gaiman, no prefácio do livro "Seres Mágicos e Histórias Sombrias", ao ser perguntado por um leitor o que ele escreveria na parede da área infantil de uma biblioteca pública, ponderou e respondeu:  “ Não sei se escreveria uma citação se fosse eu que tivesse uma parede de biblioteca para desfigurar. Acho que eu só lembraria às pessoas do poder das histórias, de por que elas existem. Eu colocaria as quatro palavras que qualquer pessoa que conta uma história quer ouvir. As que mostram que está dando certo, e que páginas serão viradas: o que aconteceu depois?” Senhoras e Senhores, conforme prometido no primeiro texto de hoje, apresento-lhes "Gama", a continuação de "Versão Beta" nunca publicada, numa versão reduzida e revisada aqui no editor do b...

Duas Histórias

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O primeiro texto de hoje já começa com um "atenção" (alerta de spoiler): se você chegou aqui e não leu "Versão Beta" saiba que vou fazer um resuminho para poder continuar.   O final de "Versão Beta" revelou que a personagem "Bela" estava sonhando com seu futuro, onde ela teria uma filha que fugiria para o planeta Marte com um namoradinho e que era filho adotivo de um velho amigo seu.   Em "Gama" ela já está acordada, algum tempo já havia passado e, para mudar um pouco alguns hábitos, ela arrumou um concurso literário para participar, onde escreveria uma continuação de um livro qualquer e que a tivesse impressionado muito por qualquer motivo também. Escolheu, então, um que contava a história de uma menina que fora para a Índia passear (ganhara a viagem de presente de aniversário de 15 anos) e que só voltara 20 anos depois (hum... o leitor já ouviu falar disso, não é mesmo?).   A cena contemporânea é passada numa cidade pequena do...