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Capítulo 22 - Epílogo

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- Você está querendo me dizer que eles fugiram? Eu conheço a história de Sidarta. Quando ele abandona tudo, ele parte sozinho. Então ele não levaria ninguém. - Se ele fosse uma reencarnação. Mas o Sidarta original foi a última encarnação do Buda, segundo os antigos escritos. - Mas essa teoria toda é uma loucura. Como Elle poderia saber disso tudo? - Ela era diferente das outras pessoas. Independente disso, os dois sumiram e isso é muito significativo. Sid é esperto e foi criado para ser um líder. Era isso que sua mãe queria. - E vai liderar o que, com 15 anos? Aonde ele iria? - Para lugar nenhum. Já mandei verificar as saídas e ele não passou. Nenhum carro sumiu e nenhum voo saiu. A não ser que... - A não ser o que? - Pensei que fosse um raio! - Que raio? Na noite anterior eu dormi direto, exausta e não vi nada, nem chuva. Só as nuvens negras se aproximando e os relâmpagos contrastando com os fogos de artifício. - Lembra-se do que te contei sobre os meninos de rua de Marte? - Ah! Aquil...

Capítulo 21 - A festa

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Passamos a tarde na casa grande. Arthur finalmente dera uma chance para que Priti ficasse sozinha com Sid, até porque eu quase o amarrei na mesa quando as crianças se levantaram. Era nítida a ponta de ciúmes dele com a filha, mas teceu os maiores elogios ao menino durante o almoço. Rô e as outras crianças se esbaldaram de tanto brincar. Espaço era o que não faltava. E tudo com a supervisão da Julya que, por sua vez, também brincava com eles. Guido estava muito animado. Acho que as coisas que ele falou fizeram bem. A expressão tensa havia desaparecido. - […] A Fê estará aqui logo mais? - Não, só a Rafa e o namorado dela. A turma se junta mais no Natal. Ano Novo tem muita festa por aí, no Japão é muito animado e as crianças dela preferiram. Arthur ficará o fim de semana? - Infelizmente vou embora pela manhã. Mas Bela fica e segue depois com as crianças. Você não quer mandar o Sid junto? Ele está de férias, não está? - Ele vai adorar a ideia. Mas ele prometeu para os avós que...

Capítulo 20 - Ano Novo

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Ao chegar, fomos recepcionados pela Rafa. Rô também foi, naturalmente. Reclamou da volta precoce para a Índia mas, no avião, contamos o que acontecera. - Quer dizer que posso abrir uma porta de armário e encontrar um elevador? - E lá também tem charrete, cachoeiras e uma porção de gente legal. - E tem outros garotos? - Muitos. O Guido tem netos bem espertos. E o pai dele é bem animado. - Então esse é que o Rô? Sua mãe falou muito de você. - Oi, Rafa! Que bom te ver! - Todos sentimos falta de vocês. Ainda teremos que esperar um pouco. Sid ainda vai desembarcar. - Acho que já desembarcou... - Ops... também acho! De longe, Priti já tinha identificado o menino e correra ao seu encontro.   - Mãe, aquele é que é o namorado da Pri? - É sim! Ele é filho do Guido. Eles se aproximaram sorridentes e de mãos dadas. - É você que vai casar com minha irmã?? - Bom... talvez, né? Mas você é que é o Rô? Muito prazer. Eu sou Sid - disse meio sem graça. - É você que sabe saltar? Eu também sei nadar. ...

Capítulo 19 - A volta

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Acordei com o galo cantando e as crianças fazendo bagunça. Já não vi mais a Priti e também não encontrei nenhum bilhete. Parti para as despedidas.  Encontrei a Rafa a caminho da escola. Apesar das férias, ela falou que era mantida uma programação de lazer para as crianças. - Então, já está indo? Volta para o Ano Novo? […] - Vou tentar e trarei o Rô e o Arthur. - O SAPO? - Mas não vale chamar ele assim que ele zanga! Rimos muito, demos um grande abraço. Ouvimos uma buzina. - Agora tenho que ir. Minha carona chegou. - Carona? - Bom, sozinha é que não posso ficar, né? Namorar é muito bom. Tchau. Bom retorno. Ela entrou no carro e mandou um beijo no cara que dirigia. Loiro e muito boa pinta. Namorado com certeza e, pelo visto, bem apaixonado. Então fui a busca de Gui. Ele estava na varanda mas, ao invés de estar calmo e tranquilo na cadeira de balanço, andava de um lado para o outro. - Oi, Bela! Viu o Sid? Ele tem que ira ao Rio fazer a pré-matrícula na escola e vai acabar perdendo o v...

Capítulo 18 - A noite na fazenda e as revelações

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A festa não terminava nunca. Outras pessoas iam chegando, enquanto as que estavam iam embora. Eu resolvi me retirar e sentei na varanda da casa grande esperando o por do sol. - É lindo, não? - Estava tão distraída que nem vi você chegar. - Eu gosto de ver o por do sol também. O Japão é a terra do sol poente e gosto muito de lá. - Cada uma de nós seguiu destinos fora do Brasil, não é? - E tivemos o mesmo amigo comum. Acho que somos um pouco parecidas. - Você é uma mulher muito forte Bela, teve coragem de perseguir o seu destino. Admiro muito a atitude que você teve, ainda mais porque tinha apenas 15 anos. Neste ponto acho que não somos tão parecidas. - Pode até ser, mas as coisas não foram assim tão simples. Acho que um momento de angústia estava me fazendo falar. Não sei como, mas a Fê tornava isto possível só com o brilho do olhar, um sorriso infantil, mas muito gentil. Senti que estava entregue a boas mãos e que poderia me abrir, confiar e resolvi contar a minha história. - Quando fu...

Capítulo 17 - O beijo

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A fazenda do seu Paulo realmente não era distante, mas fomos bem devagar para aproveitar a paisagem. A estrada de terra tinha subidas leves e descidas suaves, não deixando ninguém cansado. O caminho era dentro de uma mata e as árvores faziam sombra e deixavam poucos raios de sol brilharem no orvalho que ainda não secara. A Rafa e a Fê logo tomaram a dianteira e nos aguardaram em uma fonte natural, onde a água parecia sair de dentro da pedra de tão clara que era. - Este era o caminho em direção a Minas Gerais e que depois serviu de base para a ferrovia. Com o tempo a ferrovia acabou e virou estrada para automóveis. Pela falta de manutenção, a estrada ficou impraticável e foi abandonada. Hoje em dia só passam cavalos e bicicletas. A produção da fazenda é escoada por via aérea. - É um caminho muito lindo. - Sem dúvida. Com o abandono progressivo da cidade, pelos seus habitantes, a mata foi revitalizada pela própria natureza, mas o caminho ficou intacto. A seguir de uma curva, vimos o port...

Capítulo 16 - A Missa

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Dormimos como anjos. Eu fui na frente, pois a Pri pediu os tais cinco minutinhos e eu nem reclamei. Estava exausta. Acho que precisaria de férias para me recuperar dessas férias. Nem vi a hora que ela entrou. Quando acordei de manhã, com o tocar dos sinos da igreja chamando para a missa - já era domingo, nosso último dia em Ribeirão, 5:30 h. Priti dormia com um sorriso nos lábios. Levantei em silêncio, pois iria à Missa e a deixaria dormir mais um pouco. A manhã era clara e fazia aquele frio gostoso de cidade de serra do interior. O cheiro do capim, molhado pelo sereno, associado a um forte cheiro de café fresquinho e de pão recém saído do forno, dava até um arrepio de prazer. Como era domingo, as crianças dormiam até mais tarde e não havia aquele movimento infantil, que eu já começava a sentir falta. Fui até a cozinha e me servi do pão e do café. Guido já estava lá.   - Acordou cedo? - E você nem parece que dorme. - Eu sempre acordo cedo, antes do sol nascer, para poder desfrutar ...