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Os Cavalos

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Alcionne preparara o quarto como o de uma princesa. Todos eram iguais. As camas de madeira escura com a cabeceira alta e nos pés havia um enfeite de cada lado que, quando retirado, deixava a mostra um orifício cilíndrico destinado a hastes de madeira para a colocação de um cortinado, de filó branco, muito útil por causa dos insetos que sempre nos visitavam a noite. Além disso, somente uma cômoda com três gavetões e uma mesinha de cabeceira além de um suporte para chapéus e casacos que eu usava para pendurar os vestidos. Pedi para que os armários fossem retirados. E Priti dormiu profundamente coberta por uma colcha de babados feitos à mão com a cabeça deitada em um enorme travesseiro de penas encapado por uma fronha que combinava com o conjunto. Fiquei um bom tempo com Carol no balanço que havia nos fundos da casa. Tão distraída estava que nem perguntou sobre a moça. Ela não sabia que tinha irmãos. Sobre o pai eu falei que ele morava longe e que não podia vir nos ver por causa da distân...

Discussões

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Caminhamos lentamente em direção à copa. Minha cabeça estava cheia de perguntas, mas foi ela que começou: - Mãe, você veio parar muito longe. Foi difícil te encontrar! - Foi essa a minha ideia: ninguém me encontrar mesmo. - E papai? E meu irmão? - Ficaram na Índia. Eu preferi o exílio nesse fim de mundo. - Fim de mundo dona Bela? Que isso! Aqui é muito depois... – Alcionne se esbaldava de tanto rir com minha observação - Ah! Alcionne, não enche, né?    E ela saiu rindo cozinha a dentro e foi ter com Carolina no quintal.    - Alcionne? Quem é a moça? - Ainda não sei. Mas fique aqui comigo até sua mãe chamar. Ou então fique brincando aí atrás.   Ela aceitou a segunda opção.    - Sua ajudante é muito simpática, mãe! - Eu sei Priti. Ela vive implicando comigo. - Implicando como? - Ah! Que eu devia sair mais de casa, arrumar um namorado e coisas assim... - Mas ela sabe que você é casada? - Não sou mais casada! - Nossa, mãe, que raiva!    Realment...

Visita Inesperada

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- Mãe, acorda! A gente tem visita! - É seu João, Carolina! Peça pra Alcionne servir um café pra ele enquanto eu me visto. - Não é seu João não! É uma moça muito bonita. - E você já tomou café e escovou seus dentes? - Eu já. Mas levanta mãe. Vem ver a moça. - Tá bom, tá bom! E onde ela está? - Ué? Lá no jardim... Ela me contou a história das cores do arco-íris.. - Quer dizer que você já foi lá perturbar a moça? E qual o nome dela? - Ih! Esqueci. É um nome diferente. Mas eu não perturbo não, tá?    Mal tinha amanhecido, pois o galo ainda cantava. Carolina sempre acordava cedo mesmo que dormisse tarde. Uma menina doce, calma, carinhosa e muito esperta, de pele clara e cabelos pretos. Os olhos eram castanhos claro que, às vezes, assumiam um tom esverdeado, mas somente quando ela estava triste. Aprendia fácil tudo que lhe era ensinado e ia bem no colégio    - Bom, se não tem jeito, vamos levantar! E meu beijo de bom dia?    Ela me beijou e saiu pela porta gritando pela Alcionne.    - M...

Festa de Igreja

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- Dona Bela! Já tá na hora. - Hein! Ah! Obrigada Alcionne.    Levantei-me e já estava escuro. Troquei de roupa e realmente achei que ficara bonita. Alcionne escolhera um vestido de malha preto que eu gostava muito e uma bota clara cor de pele com um salto fino. Um casaco jeans básico completava o visual e ficava adequado para o interior algo “country”. A bota ia complicar um pouco na hora de dirigir mas resolvi pagar o preço da auto-estima. Havia um grande espelho no quarto, onde fiquei um tempo me admirando enquanto penteava o cabelo. Alcionne me animara. Quando fui saindo, ela disse:    - A senhora é linda, dona Bela! Mas falta o cordão. - Que cordão? - O que tem a pedra que brilha!    Lá vinha ela com essa estória.    - Pronto. Deixe que eu coloco na senhora. - Mas eu não vejo brilho nenhum... - Ele é teimoso e só brilha quando quer! – e saiu rindo em direção à cozinha. - Mãe! Você tá bonita! - Sua mãe é bonita, Carol. - Posso ir com vo...

Seu João

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Já bem desanimada – afinal eu não estava nem um pouco disposta a receber visitas, pois Carolina tivera um sono muito agitado quase não me deixando dormir – deixei minha bolsa na varanda, pedi para que Alcionne desse um banho nela  e fui ver do que se tratava.   - Olá seu João! - Olá dona Bela. Vim ver as instalações, mas parece que tudo está em ordem. Neste lugar que a senhora tem aqui dá pra criar o que a senhora quiser. - Mas não quero muita coisa. Preciso de um animal manso pra charrete e é só. Eu não gosto muito de dirigir o jipe e só uso quando vou à escola ou à cidade. A charrete vai facilitar o trabalho de entrega da Alcionne. - Ah! Os doces de coco da Alcionne são o máximo. Pena que ela só os faça aos domingos. Mas a senhora poderia comprar também um animal para cavalgar. Os campos são muito bonitos e assim fica mais fácil ir aonde a charrete não vai. E animal de charrete é ruim de montar. - Hum... Mas vamos começar pela charrete. - Como a senhora quiser....

Alcionne e a casa

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Bom... nova história, novos personagens. Alcionne ainda aparecerá nos blogs e a casa descrita teve inspiraçãoeu num sítio, em Rio das Flores, que pertencia a uma prima da mamãe ("Tia Déia"), mas a foto que usei é de outro local. Aproveito para deixar meus votos de Feliz Natal a todos. Vamos, então, continuar a história...   Alcionne era minha ajudante. Esqueci de falar dela! Quando me instalei nesta cidade, eu morava num pequeno quarto de uma pousada; não tinha carro e andava de charrete de aluguel (coisas de interior.) A cidade, ou quase isso, era uma mistura de estrada com casas pequenas, uma ou outra rua e um centro em torno de uma pracinha onde havia o comércio que era restrito a um banco, uma agência dos correios, uma padaria e uma ou outra loja. Ao menos sem fumaça e sem a visão do concreto armado das cidades grandes. Sempre fazia o mesmo trajeto e, numa casa mínima, em uma pequena travessa, eu observava rapidamente, uma senhora – Alcionne - de quem ninguém s...

O que aconteceu depois?

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Lá nos muito "antigamentes", quando a gente voltava das férias as professoras sempre pediam uma redação sobre o que fizemos. No caso, o trabalho de férias foi a personagem que resolveu fazer.  Neil Gaiman, no prefácio do livro "Seres Mágicos e Histórias Sombrias", ao ser perguntado por um leitor o que ele escreveria na parede da área infantil de uma biblioteca pública, ponderou e respondeu:  “ Não sei se escreveria uma citação se fosse eu que tivesse uma parede de biblioteca para desfigurar. Acho que eu só lembraria às pessoas do poder das histórias, de por que elas existem. Eu colocaria as quatro palavras que qualquer pessoa que conta uma história quer ouvir. As que mostram que está dando certo, e que páginas serão viradas: o que aconteceu depois?” Senhoras e Senhores, conforme prometido no primeiro texto de hoje, apresento-lhes "Gama", a continuação de "Versão Beta" nunca publicada, numa versão reduzida e revisada aqui no editor do b...