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Pulmão de Aço

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Quando escrevemos para nosso prazer temos a vantagem de fazê-lo como acharmos melhor. Eu tento manter um padrão de horário, formatação do texto e alguma sequência que pareça mais lógica, mas o leitor observará que isso muda às vezes, principalmente pelos recursos limitados do editor de texto do blog (já não mexo mais com "html" por absoluta falta de paciência e aí fico a mercê do que já vem padronizado). Falei sobre isso porque andei relacionando os meus textos aos capítulos das semanas anteriores, mas agora não estou mais "preso" a tal padrão. "O Dom" foi um capítulo bem simpático e agora é que lembrei (realmente eu esqueci muita coisa do livro) da referência aos Pintores com a Boca e os Pés. Acredito que muita gente já recebeu os belos cartões de Natal que a associação envia, com um boleto para pagar (de forma espontânea - antigamente você enviava um cheque). Resolvi falar um pouco da poliomielite, pois tudo que vivemos hoje já aconteceu no passado. A p...

Capítulo 13 - O Casamento

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- Mãe! Com que roupa eu vou? Já estávamos no chalé. Ao chegarmos, Sid colocou Pri delicadamente na cama, afagou o cabelo dela e rapidamente se despediu. Ela dormiu mais uns trinta minutos, o tempo necessário para que eu tomasse um bom banho. - Aonde você acha que vamos? - A um casamento. Sid falou que haverá um casamento e que fomos convidadas. - Então você já sabe. E desde quando você gosta de ir a festas de casamento? Pensei que achasse uma grande chateação. - Ah! Mãe! Mas se estamos aqui e fomos convidadas, temos que ir, não é? E com que roupa eu vou? - Tá vendo? Se você não me pegasse de surpresa no aeroporto e a gente combinasse antes, eu colocava um vestido de festa na minha mala. Mas você só fez uma mochilinha cheia de shorts e camisetas. - Mas mãe, eu tenho que ir arrumada. Vai estar todo mundo lá... - Todo mundo? - O Sid vai... - Quanto interesse... - Ah! Mãe! Que encrenca. Arrumar um vestido de festa em uma hora para uma menina de 15 anos, numa cidade ...

Caixa de Costura

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Já deu para perceber que criei uma cidade tecnológica e utópica em cima de outra que foi abandonada no decorrer dos tempos. Claro que nada disso aconteceu (ao menos até agora), mas bem que alguns personagens poderiam continuar presentes.   Outubro é um mês com muitas referências e recebe a cor rosa, por conta do câncer de mama contra o qual minha mãe já lutava quando eu escrevi o livro. Mesmo com todas as intempéries do tratamento ela conseguia levar a vida como se nada - ou pouco -  tivesse acontecido (ao menos era isso que transparecia). Uma das suas atividades preferidas era o crochê.  Mamãe era professora aposentada. Durante o tempo de magistério, aperfeiçoou-se em artesanato, dava aulas sobre as mais variadas técnicas e fazia que nossos trabalhos escolares saíssem perfeitos. A cartolina que usávamos sempre tinha uma margem bem feita e havia um equilíbrio nas fotos (recortadas de revistas) que eram utilizadas. Voltando ao crochê, ela gostava de fazer sapatinh...

Capítulo 12 - Os bebês

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Eu realmente estava feliz! Foi divertido fazer a cesta do lanche, principalmente contando com o auxílio de algumas crianças que brincavam na casa. Elas viram que eu não sabia onde encontrar nada e morriam de rir quando eu não entendia o que elas falavam. Também, fui receber ajuda de 5 chineses que deveriam ter 5 ou 6 anos! Nem fazendo força eu entenderia os dialetos. Só que eles entendiam o que eu falava. Que experiência fantástica! Cesta pronta, fui ao encontro de Guido sempre acompanhada por meus ajudantes. Pegamos a charrete e fomos em direção ao campo; as crianças deram “tchau” no jeitinho alegre dos chineses. Já era quase meio dia e, quando chegamos, os bebês já tinham sido recolhidos há muito tempo. Encontramos a Priti e o Sid, suados em bicas, jogando peteca. - Isso eu nunca soube jogar direito. - E eu nunca soube que ela sabia jogar. - As crianças sabem tudo... - É que a criação dela foi muito dentro de casa. Sabe tudo de computadores e máquinas. Mas peteca, é uma surpr...

A Nova Mãe

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"O destino do planeta poderia se transformar se as mães do mundo todo assumissem o verdadeiro papel político e social que lhes cabe." (José Ângelo Gaiarsa)   Um dos desejos descritos no meu livro (e acredito que seja o de muitas pessoas também) está relacionado à educação infantil: as crianças seriam melhor formadas e, nesse ponto, a participação das mães (e também dos pais) é fundamental. O texto de hoje traz uma provocação à reflexão. Nos últimos vinte anos (ou mais), o que observei foi o aumento do número de crianças totalmente sem controle, sem limites, que fazem o que bem entendem, que não respeitam pais e professores, e um sem número de outros problemas com consequências totalmente imprevisíveis. Com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) houve uma interpretação errônea quanto à educação infantil e um descaso a alguns direitos conquistados.    Hoje vivemos na pandemia: as crianças estão em casa e as famílias tentando corrigir os erros do passado. Ape...

Capítulo 11 - Os traumas

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O sol já estava bem alto e nem ouvi o galo cantar (se é que cantou)! Olhei para a cama ao lado e vi rosas novas e um bilhete: “Mãe. Já acordei, tomei café, escovei os dentes e fui passear com o Sid; não se preocupe que ele é muito bonzinho e respeitador. E lindo, é claro! Beijocas. Pri” Levantei mais que depressa e fui para a casa grande. Fui para a sala de café que já estava vazia, apesar da mesa ainda farta, quando Gui chegou. - Bom dia, Bela! - e foi logo apertando um botão da pilastra para mostrar aonde minha filha estava. - Que lugar é esse onde ela está? - perguntei - No passeio dos bebês. - Passeio dos bebês? - Foi ideia das mães. Elas se reúnem quase todos os dias e passeiam em caravana de carrinhos. É muito divertido. As mães mais experientes ensinam coisas às mais novas, em ambiente de harmonia. E, considerando que são de diversos países, os bebês vão ouvindo os mais variáveis sons e vão aprendendo as diversas línguas. - Por isso é que, no café, eu ouvi os ...

Longevidade

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"Ninguém baterá tão forte quanto a vida. Porém, não se trata de quão forte pode bater, se trata de quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente. É assim que a vitória é conquistada." (Rock Balboa)   Um dos conceitos que coloquei no livro, mesmo que passasse despercebido, foi o trato com a saúde e a possibilidade de viver com qualidade até idade bem avançada. Meus avós tiveram essa chance e meu pai ainda está aí para mostrar e provar essa possibilidade. Com o passar dos anos e melhor controle das doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, a temida velhice foi substituída pelo conceito de melhor idade. Realmente, mesmo com as injustiças que a previdência e os impostos submetem os idosos (aposentadoria é ato de coragem), eles conseguiram se reinventar e adquirir uma independência impensável no passado. Viraram os imortais da sabedoria para a alegria dos mais jovens. Sempre falei para o papai que ele podia fazer o que quisesse, pois o prazo de validade vencid...